As bets e o que a saúde mental tem a ver com isso

Nas últimas semanas muito tem se discutido a proibição das bets, negócios de apostas altamente rentáveis para esta indústria, não para o seu usuário. A natureza desse negócio já mostra a sua face de desigualdade afinal, alguém se beneficia muito em detrimento de outro que acumula prejuízos. Segundo a UOL Economia, 53% dos apostadores já atrasaram contas residenciais para jogar e 19% dos apostadores viram sua renda severamente comprometida pelas apostas. Trata-se de um problema real.
Freud já nos explicou que nosso psiquismo é constituído, entre outras coisas, de pulsões. Trata-se de uma energia psíquica que tem força constante e faz a mediação entre o corpo e a mente. Dependendo da história de vida somada aos fatores ambientais, elas se expressam como força vital ou podem se organizar em compulsões.
As compulsões podem ser das mais diversas naturezas. Elas se caracterizam por um impulso de repetição não controlado pelo próprio sujeito. Não é sobre ter força de vontade para manejar, é sobre completo descontrole sobre a situação vivida e vai além, tem caráter repetitivo.
Não precisamos ir longe para compreender que esse mecanismo pode ser um problema para quem o vive. O espectro das compulsões vai de algo aparentemente inofensivo, como os excessos de exercício físico e de trabalho, até os mais visivelmente nocivos, como a alimentação, o uso de substâncias e os jogos.
É aí que saúde e política precisam dar as mãos. O lucro empresarial não deve se sobrepor à integridade da sua população. É um acerto do governo encarar o problema das bets como problema de saúde pública. Por mais iniciativas como essa que entrelaçam o psíquico, o político, o econômico e o ambiental, afinal nenhum psiquismo se sustenta sozinho.


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