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O arco-íris e a psicanálise



Toda terça-feira participo de um grupo de estudos sobre Lacan. A ótima turma de colegas me animam com a leitura de textos. No ultimo trabalhávamos a ‘A tópica do imaginário’, do seminário 1 de J. Lacan. Nunca é tarefa fácil ler e compreender Lacan. Sua escrita deixa espaço para múltiplas interpretações, o que muitas vezes torna o processo rico.


Sabe aquele meme: ‘só saia de casa quando entender Lacan’? É verdade.


Nesta leitura em especial, Lacan traz conceitos da ótica para trabalhar a noção da realidade psíquica, considerando o simbólico, o real e o imaginário. Ao discorrer sobre o tema, Lacan traz o exemplo do arco íris. Ao mesmo tempo que ele é um fenômeno subjetivo (nós o vemos, mas não conseguimos pegar) é também objetivo (quando sacamos uma foto, ele se torna concreto). Ou seja, ele articula o sistema simbólico, imaginário e o real: o símbolo do arco íris, a ideia que ele produz (imaginário) e o real (ele existe antes de tudo).


Fazendo uma metáfora deste exemplo na prática clinica, esse fenômeno, que Freud chamou de ‘realidade psíquica’ acontece da mesma forma. A pessoa vivencia situações imaginárias e as trata como real. Ou seja, o arco íris está lá, mas ao mesmo tempo não está. O sofrimento é real, mas as vezes sua causa é imaginária.


O processo de análise, com uma escuta cuidadosa vai tratando estas questões, através da fala do paciente, aproximando-o sempre da dimensão do real, para que estas ideações imaginárias possam ser desmanteladas e assim dar lugar a novas construções.


E esse é o caminho analítico: substituir temáticas que nos cristalizam por outras que nos permitam deslocar, criar, produzir e exercitar a vida de forma mais integral.


Um abraço e até a próxima!

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